quinta-feira, 11 de setembro de 2014

PM-RJ Deputados pedem abertura de CPI para investigar concurso

Deputados estaduais requisitaram a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para averiguar as irregularidades do concurso público para soldado da Polícia Militar do Estado (PM-RJ), após audiência da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), realizada na última terça-feira, dia 9. O pedido, segundo o deputado Átila Nunes (PSL), autor do requerimento, já foi protocolado na mesa diretora da Alerj, cabendo ao presidente da assembleia, Paulo Melo (PMDB), a decisão de iniciar as discussões relativas à instauração da CPI. Entre os deputados que assinaram o documento estão Wagner Montes (PSD), Bernardo Rossi (PMDB), Alexandre Correa (PRB) e Enfermeira Rejane (PCdoB).

A comissão de Segurança pretendia reunir, no início da tarde de 9 de setembro, candidatos insatisfeitos com as avaliações, representantes da corporação e da organizadora da seleção, a Exatus. Contudo, dentre os convidados, somente os primeiros compareceram. A ausência foi vista como uma prova de descaso de ambos - PM-RJ e Exatus - em relação às queixas dos concorrentes. "Fica difícil avançarmos na apuração dos fatos sem a participação dessas partes, que deveriam estar aqui, na audiência", disse o deputado Zaqueu Teixeira (PT), membro da comissão, que, paralelamente, decidiu, por unanimidade, encaminhar as denúncias de fraude ao Tribunal de Contas do Estado, ao Ministério Público e à Delegacia de Defraudações da Polícia Civil.

Uma parcela dos candidatos, que fizeram provas objetivas e discursivas em 31 de agosto, pede a anulação completa da avaliação, alegando que houve vazamento da mesma, supostamente comprovado por uma série de fotos que mostram o cartão-resposta e o que, segundo eles, seria o caderno de questões. Além disso, também foi questionada a dificuldade da avaliação, apontada por alguns como sendo de nível superior. “Estamos muito decepcionados com o exame aplicado. Fatos que não poderiam acontecer acabaram acontecendo em diversos locais de prova, como, por exemplo, atrasos, falta de fiscalização, avaliação com nível de exigência acima do pedido no edital, quebra de sigilo, perguntas com duplicidade de resposta, erros de enunciado, de concordância verbal, entre outros. Pelo fato de termos sido prejudicados, peço a anulação do exame”, disse o candidato Luiz Paulo aos deputados.

Outros concorrentes, porém, entendem que basta a anulação das questões que apresentaram problemas ou cujo conteúdo não constava no edital de abertura do concurso. “Represento um grupo cuja opinião é totalmente contra a anulação da seleção. Somos a favor da eliminação das questões que sejam, de fato, consideradas indevidas, pois não queremos injustiça. Consideramos que a prova se enquadrava no nível médio”, opinou Marcos Azevedo, também candidato ao cargo de soldado da PM-RJ.

Segundo especialistas entrevistados pela FOLHA DIRIGIDA na semana passada, pelo menos nove questões, ou seja, 22,5% da prova objetiva, deveriam ser anuladas, nas disciplinas de Língua Portuguesa, Informática e História. O deputado Átila Nunes acredita que é preciso responsabilizar a Exatus pelo ocorrido e que o foco das discussões não deve ser a possível quebra de sigilo, mas as perguntas que não respeitaram o conteúdo programático das avaliações. “O mais importante é o fato de que uma série de questões estava escandalosamente fora do programa do edital. Se isso levará a anulação da seleção ou não, é outra decisão, mas estas questões têm que ser retiradas. E se rastrearem quem acertou todas, encontrarão grande surpresas por trás deste concurso público”, afirmou Átila Nunes.

O deputado Iranildo Campos, presidente da comissão, disse que o seu papel de fiscalizador está sendo cumprido e concluiu a reunião pedindo calma a todos, pois o assunto envolve muitas pessoas. “Não tenho dúvida de que a Polícia Militar deve ter a sua parcela de culpa por ter contratado uma empresa inidônea para organizar o concurso. Não devemos, porém, fazer acusações levianas sem fatos apurados. Não iremos pedir novamente que a Exatus e a PM-RJ compareçam aqui, já que não temos o poder de convocar, mas encaminharemos as denúncias. Estamos lidando com o sonho de 105 mil pessoas”, lembrou o deputado.
 
 
Exclusivo: Exatus elimina, mas não vê motivo para anular concurso
 
Embora a Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) tenha decidido em audiência pública encaminhar as denúncias de irregularidades no concurso da Polícia Militar ao Tribunal de Contas do Estado, ao Ministério Público e à Delegacia de Defraudações, a seleção prossegue normalmente. Isso porque a corporação e a organizadora Exatus entendem não haver razão para a anulação das provas.

Caroline Zago, do Departamento Jurídico da Exatus, confirmou que não vê motivo para anulação do concurso, mas salientou que serão eliminados os candidatos que infringiram o edital. Inclusive, afirmou que já foram identificados os participantes que tiraram fotos do cartão-resposta em branco e as veicularam na internet. Os problemas estão discriminados nas atas, sendo a relação dos excluídos do concurso divulgada juntamente com os resultados dos recursos relativos ao gabarito preliminar, bem como o provisório da prova objetiva.

Ainda de acordo com a representante da empresa, os recursos foram prorrogados até as 12h da última terça-feira, dia 9, porque o site ficou inoperante por aproximadamente uma hora e meia, na sexta-feira, dia 5. Os resultados estão previstos para sair no dia 30 deste mês. Para ser aprovado é necessário não zerar nenhuma disciplina, além de alcançar, no mínimo, 50% de rendimento na soma das notas da objetiva e da discursiva.

Reclamações formais - De 1° a 8 deste mês, a Ouvidoria do Ministério Público recebeu 32 comunicações a respeito das supostas irregularidades, de acordo com a Assessoria de Imprensa do órgão. As comunicações versam sobre a insatisfação dos candidatos acerca do concurso, tendo sido enviadas ao Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania, para posterior distribuição à Promotoria de Justiça com atribuição.

As denúncias podem ser feitas por meio da Ouvidoria, no telefone 127, assim como pessoalmente, por correspondência ou utilizando o formulário no site do órgão. O horário de atendimento é das 8h às 20h, de segunda a sexta-feira. Os habilitados nesta etapa serão convocados ao exame psicológico. Posteriormente, haverá testes antropométrico (através da medição do Índice de Massa Corporal - IMC) e físico, além dos exames toxicológico, médico, da pesquisa social e documental. A organizadora informou o percentual de faltosos: 10,6%.

Serviço

Resultado: www.exatuspr.com.br
Ouvidoria do MP: Av. Marechal Câmara, 370, subsolo, Centro, Rio de Janeiro, CEP 20020-080


FONTE: http://www.folhadirigida.com.br/ ACESSO 11-09

Nenhum comentário:

Postar um comentário