quinta-feira, 30 de outubro de 2014

CONCURSO PMRJ 2014 Especialista diz que só resta caminho do Judiciário

Apesar dos inúmeros recursos interpostos pelos candidatos do concurso para soldado da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PM-RJ), a Exatus manteve apenas quatro questões anuladas na prova objetiva. A expectativa dos participantes e de especialistas era que a banca pudesse rever várias perguntas que estavam fora do programa, principalmente em História, a disciplina mais contestada.
 
“Infelizmente para os candidatos que assim desejavam, a administração agiu dentro da sua discricionariedade e do mérito administrativo, por isso entendo não serem cabíveis os argumentos que pleiteavam a anulação de mais questões. Entendo não haver mais o que fazer no âmbito administrativo”, afirmou Marcus Silva, consultor na preparação de candidatos do projeto “Cursultoria” e especialista na área.
 
Porém, ele salientou que ainda é possível recorrer a outras vias. “Minha sugestão é que aqueles que tenham se sentido prejudicados e que desejam ter seus direitos reparados procurem a via adequada, o Poder Judiciário e/ou o próprio Ministério Público, levantando todas as provas que julguem cabíveis”, disse. Marcus Silva ressalta que a própria corporação poderia tomar medidas com a finalidade de resguardar a adequada prestação dos serviços pela banca contratada.
 
A seleção é marcada por várias polêmicas, que começaram com a escolha da banca, em virtude da pouca experiência da Exatus na organização de grandes concursos como esse e o envolvimento em supostas irregularidades em outros, como o da PM do Espírito Santo. Os sucessivos atrasos na divulgação dos resultados reforçam o que candidatos e especialistas consideram desorganização da banca.
 
“Não cumpriram o cronograma e não deram nenhuma satisfação”, reclama o candidato Hugo Carvalho. “Estão fazendo pouco caso dos participantes, e o governo não faz nada para defender os nossos interesses”, reclama.
 
Batalha questionada - Outro candidato, Alisson Nascimento, não se conforma que não tenha sido anulada a questão sobre a Batalha de Jenipapo, observando que em vídeo veiculado na internet pela TV Piauí ficou claro que o evento não é conhecido nacionalmente. No vídeo, o prefeito de Campo Maior, Paulo Martins, com a anuência do governador, diz que a batalha foi importante, mas reconhece que o ensino da mesma não é comum nas escolas do resto do país. Inclusive, o evento não consta no currículo mínimo da Secretaria de Educação fluminense.
 
Alisson acrescenta que, em entrevista à TV Câmara, em março deste ano, o deputado Jesus Rodrigues (PT-PI) afirmou que a batalha foi esquecida na história oficial e que não consta na grande maioria dos livros didáticos do país.
 
Segundo Marcos Silva enfatiza, falta uma legislação específica na área. “Há muito tempo os concurseiros em todo o Brasil vêm sofrendo com situações como essa, tendo seus direitos desrespeitados, e nada de efetivo acontece no sentido de que tais situações sejam evitadas. Particularmente, acredito que muitos aspectos relativos aos concursos públicos carecem de legislação que garanta os direitos dos candidatos e protejam os princípios basilares da boa administração publica, como a eficiência. Certamente é de interesse público que fatos como este não se repitam, como vem acontecendo rotineiramente”.
 
O concurso ainda está na dependência da ação que pede a sua anulação, movida pela deputada estadual Janira Rocha (Psol). O Ministério Público ainda não se pronunciou, e a CPI na Alerj não deslanchou. 

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