Uma das principais regionais
do Banco Central (BC), o Rio de Janeiro reflete os problemas verificados
em âmbito nacional na autarquia. Segundo o presidente do Sindicato dos
Funcionários do BC no estado (Sinal-RJ), Sérgio Belsito, o banco está
fazendo o mínimo possível por falta de pessoal e também de recursos
financeiros. O sindicalista acredita na autorização de um novo concurso
para técnico e analista ainda este ano, mas para isso, o BC terá que
encaminhar ao Ministério do Planejamento, até o fim de maio, um pedido
de autorização com esse objetivo.
Belsito explicou que não é possível
precisar de quanto é a carência de funcionários no Rio, visto que
conforme as aposentadorias vão acontecendo, atribuições vão sendo
cortadas para adequação à nova realidade de pessoal. Ele destacou ainda
que, em todo o país, 600 empregados estão recebendo abono de permanência
(adicional pago aos que já podem se aposentar, para que permaneçam na
ativa) e podem deixar o banco a qualquer momento. “Acredito que algumas
dezenas deles são do Rio de Janeiro”, estimou.
Assim como o presidente nacional da
entidade sindical, Daro Piffer, Belsito também crê na possibilidade do
Planejamento conceder a autorização do concurso ainda este ano, embora
as condições não sejam as mais favoráveis para isso. “Vamos fazer o
nosso papel e continuar cobrando o concurso”, disse ele. Para que
consiga a permissão, o BC terá que fazer o pedido de concurso em tempo
hábil, para que a proposta seja analisada na elaboração do projeto de
lei orçamentária de 2017.Nós questionamos a autarquia sobre o
envio da solicitação, mas ainda não obteve resposta. Na opinião de Daro
Piffer, do Sinal nacional, certamente a solicitação será feita.
Belsito lamentou o momento pelo qual
passa o banco, com energia elétrica e uso da internet sendo racionados.
Ainda segundo ele, as atividades da área de Meio Circulante, como
saneamento das cédulas e distribuição do dinheiro, estão sendo
terceirizados ao Banco do Brasil. No caso da fiscalização das
reclamações dos clientes bancários, assim como das instituições
financeiras, a dificuldade vai além da financeira. “Mesmo se houvesse
recursos não haveria pessoal. Há dez anos nós tínhamos 150
fiscalizadores, hoje são menos de 30”, contou ele, explicando que a
atividade é exercida por analistas. Em todo o país, há cerca de 2 mil
vagas ociosas no quadro do BC, o equivalente a cerca de 30% das posições
existentes. Sobre a possibilidade do novo concurso trazer vagas para o
estado, Belsito avaliou que existe essa chance, porém, a oferta não
deverá ser em número expressivo. “Em geral, será necessário ir para
Brasília para depois tentar vir para o Rio de Janeiro.”
Requisitos e remunerações -
O cargo de técnico do BC é voltado para quem possui o ensino médio
completo, porém, no fim do ano passado, foi encaminhado ao Congresso
Nacional um projeto de lei alterando o requisito para formação superior.
Para Daro Piffer, a mudança deve ser aprovada ainda neste semestre,
visto que faz parte de acordo assinado com o governo. No caso de
analista, a exigência já é do ensino superior completo em qualquer área.
Ainda conforme o acordo assinado com o governo, os ganhos iniciais de
técnico passarão para R$6.463,44 em agosto, enquanto que os de analista
subirão para R$16.286,90 (reajuste de 5,5%), já com o
auxílio-alimentação, de R$458. O BC realizou concurso para os dois
cargos pela última vez em 2013, tendo o Cespe/UnB como organizador.

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